Digressão Algarve 2008

Viagem I

Bandidos dumas terras bem distantes
Que erravam livremente nos quintais
Assaltam a cidade, protestantes
Pois comida e bebida querem mais
Assumem uma coisa nunca antes
Vista pelos outros seres mortais
Arrancam com as suas vinte garras
Melodias de celestiais guitarras.

 

Pela ordem que impõe a realeza
Seguem todos uma linha de comando
O Moustache coordena esta empresa
Um Magister que domina este bando
O Maestrum que ordena concerteza
É Cojones que se impõe, tocando
Atrás dele segue um outro, lentamente
Ancionis Cesar, velho e doente.

 

O que adora o eterno Astro-Rei,
É quem conta as moedas e as notas
Outro fala e assume que é Lei
Bipolar que azeita ou faz chacotas
Faltam dois, os que eu emparelhei
Manus, Cuzius e outras trocas
Afilhados, duma escola diferente
Estão aqui para ser um dia, gente.

 

Falta ainda referir os animais
Que a custo a viagem abraçaram
Afilhado, és o Rei dos Quintais
O Ursinho qu' estrangeiras adoraram
Coraçon, que com artes digitais
Triunfou onde outros fracassaram
Falto eu, que transcrevo a história
Manolo, se não me falha a memória.

 

Tunos ilustres que aqui faltais
Para vós faltar-me-á a pena
Pois histórias, cantaria até mais
Se personagens fossem desta cena
Momentos destes nunca são iguais
E uma digressão que seja eterna
Aquela que aos deuses se encerra
É quando o corpo jaz e se enterra.

Viagem II

Partia a carrinheta carregada
Com os ilustres mestres musicais
Deixando a cidade abençoada
Em busca da maior das capitais
A plebe assiste a isto, extasiada
A debanda de mui nobres generais
E logo se fabrica bela imagem
Mantendo a viatura em paisagem

 

Mas heis que se levanta um moribundo
Qual Velho do Restelo, actual
Dizendo que dos tesouros do Mundo
A Tuna libertará todo o Mal
E logo as palavras batem fundo
E deixa de se ouvir o animal
É Deus que lhe sussura “Está calado!”
Pois logo cai no solo fulminado

 

Acercam-se do morto os viajantes
Primeiro um, dois, logo três
Espreitam para a face, por instantes
Do Velho, cada um por sua vez
E eis que se lhes mudam os semblantes
Pois o Velho é o Tuno que é Francês
Estava descoberta a sabotagem
E perde-se o primeiro na Viagem

 

O Maestro inicia uma oração
Aos deuses que protegem os audazes
Prometendo roubar o coração
Àquelas damas que forem capazes
E assim sem nenhuma objecção
Mostrar a valentia dos rapazes
Mas as palavras “leva-as o vento”
Pois poucos cumprirão tamanho intento

 

Chegados à cidade capital
Encontram o Moustache acompanhado
A dama que o governa, por sinal
É aquela que o tem por namorado
O César os espera, triunfal
E logo se decide apressado
De negro tomar lesto e de assalto
O Bairro que se denomina Alto

 

E no final da noite, os galantes
Estão todos a desejar um abrigo
E a prova que demonstro adiante
É aquela de um nobre e bom amigo
Diz o César “Vão todos, vão avante”
“Vão todos para casa e vão comigo”
E assim, perante generoso acto
Provou que não sabia ser ingrato.

 

Tuno Manolo Birilhas